O Consulado Peruano oferece neste sábado, 28, no estande da Secretaria de Turismo e Lazer (Setul) na Expoacre, a partir das 20h30, um coquetel com bebidas típicas, como Pisco Sour, além da degustação de exemplares da gastronomia peruana. O evento é uma comemoração à declaração de Independência do Peru em Lima, capital do país, por parte de dom José de San Martín (a ata foi firmada em 15 de julho de 1821). E falando em Pisco, você sabia que Chile e Peru travaram “guerra etílica” pela paternidade do pisco, esse destilado de mosto de uva que é ótimo para coquetéis? Para quem não sabe quase nada sobre a bebida é preciso adiantar: ela move uma batalha histórica. Para começo de conversa, é preciso lembrar que um pedacinho do que hoje é o Chile já foi território peruano na época da colonização espanhola. Quando os dois países foram separados, o pisco ficou, digamos, no meio do caminho entre os dois territórios. Por isso, chilenos e peruanos disputam sua paternidade e o uso da nomenclatura, que significa “pássaro” na língua inca quéchua, uma referência às ânforas utilizadas no século XVI para armazenar a bebida. O Peru defende ser o berço do pisco e ter as primeiras destilarias da bebida documentadas. Ali, até hoje o pisco só pode ser feito em uma zona litorânea delimitada, extremamente seca e com ampla oscilação térmica – com mais de 30 graus de dia e cerca de 8 à noite. Segundo o especialista Johnnie Shuler, que assumiu o papel de embaixador do pisco dentro e fora do país, essa condição climática permite que as uvas fiquem doces o suficiente para produzirem um pisco de qualidade. “Por causa dessa concentração de açúcar, nosso pisco é a única bebida de todas que pode ser destilada uma só vez e já atingir a graduação alcoólica de consumo, de 38% a 48%”, defende. O especialista reforça que no caso do pisco chileno, como em tantos outros tipos de aguardentes, a bebida é destilada duas vezes e retificada (tem água acrescida para diminuir o teor alcoólico, que chega a 70% depois da segunda destilação). Este processo único, somado a uma seleção de uvas específicas para a produção, seria a razão pelo pisco peruano ter um “bouquet” mais sutil e uma coloração cristalina – já que os aromas são adquiridos na própria destilação e o líquido não passa por madeira. O pisco chileno, por sua vez, usa mais frequentemente as uvas moscatel e torontel e geralmente é envelhecido em barris de madeira, que vão conferir cor e sabor.Para os peruanos, o pisco é uma denominação de origem controlada, como é a tequila e o champanhe, feitos sob regras rígidas em regiões específicas, ao passo que os chilenos consideram que essa é a nomenclatura válida para o destilado feito a partir do mosto da uva – e não do bagaço que sobra da produção vinífera, como acontece com a grappa. Em desacordo com o que julgam uma “apropriação” da nomenclatura pelos vizinhos, peruanos brigam na OIV (International Organization of Vine and Wine) para fazer do pisco um produto DOC.Informações obtidas no site comida.ig.com.br


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